terça-feira, 22 de março de 2011

‘Caravana Mekukradjá’ difunde literatura indígena na Amazônia

Projeto que busca divulgar a literatura produzida pelos povos indígenas promove encontro entre autores e jovens estudantes, universitários e professores de Manaus
JONY CLAY BORGES


Daniel Munduruku é um dos autores que participa da caravana (Reprodução)


Já há bastante tempo os povos indígenas do Brasil superaram as barreiras da língua e dos costumes e instituíram representantes também na literatura do País. Vários desses representantes participam da “Caravana Mekukradjá – Literatura indígena em movimento”, que chega a Manaus nesta quinta-feira (24).

A iniciativa, que busca difundir a literatura produzida pelos povos indígenas, promoverá oficinas e um sarau literário com escritores e jovens estudantes, universitários e professores de Manaus na Escola Estadual Professor Gilberto Mestrinho, em Educandos.

A programação da “Caravana Mekukradjá” começa na quinta, com duas oficinas voltadas para alunos do Ensino Fundamental (das 9h às 11h) e do Ensino Médio (das 14h às 17h).

No mesmo dia, das 19h20 às 21h30, haverá um bate-papo com universitários e professores com o objetivo de discutir a Lei 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura indígena nas escolas do País.

Na sexta-feira, dia 25, das 19h30 às 22h, será realizado um sarau literário, aberto ao público em geral, em que os escritores indígenas e o público participante terão um momento de diálogo e de descontração.

“A ideia (do sarau) é ser um momento não acadêmico. Vamos ter recitação, canto, dança, música, essa diversidade toda”, adianta o escritor Daniel Munduruku, coordenador da “Caravana Mekukradjá”.

Além dele, que também é Doutor em Educação, participam da ação Ely Macuxi, escritor, professor e assessor em Educação em Manaus; Naine Terena, radialista, produtora cultural e doutoranda em Educação; Rony Wasiri Guará, professor, poeta, artista plástico e contador de histórias; e Rosi Whaikon, escritora e mestranda em Antropologia Social.

Além da palavra
De acordo com Daniel, a iniciativa – contemplada com Bolsa de Circulação Literária pela Fundação Nacional de Arte (Funarte) – busca levar pessoas de todas as idades a vivenciar “uma literatura que não é apenas escrita, mas também vivida”.

“Mesclamos debates com oficinas para crianças e jovens. Por meio delas queremos que eles convivam com a gente, para perceber que a literatura não se resuma à parte escrita, mas a literatura dos povos indígenas é sobretudo ritual, é feita de ritos, palavras, oralidade, dança, canto”, declara o escritor.

A ideia de movimento, que marca a caravana, caracteriza a literatura produzida pelos povos indígenas, na visão de Daniel.

“Queremos mostrar uma literatura que se move, feita pelo movimento dos corpos das pessoas, dos grupos indígenas, e que eventualmente usa também a plataforma escrita”, destaca o autor.

No ensino
O escritor Ely Macuxi destaca a importância de se debater a Lei 11.645/2008, o que está na pauta do evento. “Geralmente há muita desinformação com relação às questões da cultura indígena.Procuraremos informá-los e trabalhar dando orientações visando permitir que eles transmitam um conhecimento mais real sobre a questão indígena”, destaca o autor, lembrando que a legislação que obriga a inclusão de história e cultura indígenas no currículo escolar já está em vigor.

“Todos os professores já deveriam ter recebido essa formação, mas sabemos que isso não aconteceu ainda. Por conta disso realizamos esses encontros em todo o Brasil”.

Fonte: A crítica.com
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